Projeto de níquel perto de Tucumã garante conexão à rede elétrica nacional

Torre de linha de transmissão de energia de alta tensão sobre rio na Amazônia, ao pôr do sol

Centaurus assinou contrato com o ONS para ligar o Projeto Jaguar, em São Félix do Xingu, à rede de 230 kV; empresa diz que o financiamento está em fase avançada.

A mineradora Centaurus Metals, listada na bolsa australiana, informou na sexta-feira (2) que sua subsidiária brasileira, a Centaurus Níquel, assinou com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) do Projeto Jaguar, de níquel sulfetado, em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará. O acordo garante à futura mina uma alocação inicial de 20 megawatts (MW) da rede nacional de 230 quilovolts (kV).

O projeto fica a cerca de 40 km das sedes de Tucumã e Ourilândia do Norte, segundo o Portal Canaã, e tem investimento inicial estimado em US$ 380 milhões.

De acordo com o comunicado da empresa, a ligação será feita por uma linha de transmissão de 36 km até a subestação principal do projeto. A aprovação regulatória do ONS para a conexão havia saído em 15 de julho.

Ainda faltam duas etapas: a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as instalações de conexão e a assinatura do Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão (CCT) com a concessionária da linha já existente. A Centaurus afirma que as licenças ambientais e minerárias e a servidão para a construção da linha já estão garantidas.

Para a mineradora, contar com energia da rede confiável, de baixo custo e em grande parte renovável é um fator-chave para que o Jaguar esteja entre as operações de níquel de menor custo do mundo.

Financiamento e decisão de investimento

A empresa trata o contrato como um passo para reduzir riscos antes da decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês), que ainda não tem data anunciada. Segundo o comunicado, as negociações de novos contratos de venda e de financiamento estratégico estão em “estágio avançado”, e o processo de dívida sênior está “bem adiantado” (tradução livre). Valores e parceiros não foram divulgados.

Pelo estudo de viabilidade apresentado no site da Centaurus, o Jaguar deve produzir em média 18,7 mil toneladas de níquel por ano, em mina a céu aberto, com vida útil de 15 anos. O investimento inicial de US$ 380 milhões inclui o pré-decapeamento e as contingências.

Em março, a empresa fechou com a Glencore a venda de 20 mil toneladas secas por ano de concentrado de níquel durante cinco anos, contrato estimado em mais de US$ 450 milhões, segundo o portal Mining Weekly. A Licença de Instalação foi emitida pela Semas em março de 2025, segundo a Gazeta Carajás.

O que isso significa para os negócios da região

O Jaguar fica fora de Parauapebas, mas um projeto desse porte tende a movimentar a cadeia de fornecedores de todo o sudeste paraense. Segundo o EIA-Rima apresentado em audiências públicas em 2023, citado pelo Portal Canaã, a fase de obras deve empregar em média 2,1 mil trabalhadores, com pico de 2.650, e a prioridade de contratação seria para moradores de São Félix do Xingu, Tucumã e Ourilândia do Norte.

Para Parauapebas, que concentra boa parte dos prestadores de serviço da mineração em Carajás, as oportunidades estão em áreas como montagem eletromecânica, construção civil, transporte, manutenção de equipamentos, alimentação e hospedagem de equipes.

O cronograma, porém, depende do fechamento do financiamento e da decisão final de investimento. Para quem pretende fornecer ao projeto, a recomendação é acompanhar os comunicados da empresa e manter documentação, certidões e certificações em dia, exigências comuns nos cadastros de fornecedores de grandes mineradoras.

Fontes:

Imagem: Torre de linha de transmissão de alta tensão do linhão Tucuruí–Macapá–Manaus, na Amazônia. Foto de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) / Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

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