Cobre puxa alta de 23,5% nas exportações minerais do Pará no 1º semestre

Vista aérea da Mina do Sossego, operação de cobre da Vale em Canaã dos Carajás (PA)

Levantamento do Simineral aponta US$ 8,7 bilhões exportados, CFEM de R$ 1,49 bilhão e Canaã dos Carajás com 44% dos royalties minerais do Estado

O Pará exportou US$ 8,7 bilhões em produtos minerais no primeiro semestre de 2026, alta de 23,5% em relação ao mesmo período de 2025, puxada principalmente pelo cobre. Os dados foram divulgados na última semana pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), na 75ª edição do boletim Simineral ON, e mostram avanço também na arrecadação de royalties e na geração de empregos formais no setor.

Segundo o levantamento, a mineração respondeu por 66,7% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior no período. Só o cobre acrescentou US$ 1,2 bilhão às exportações, e o Pará concentrou 99,77% das vendas externas brasileiras do metal. A China seguiu como principal destino, com 46,6% das vendas, o equivalente a cerca de US$ 4 bilhões.

Canaã dos Carajás lidera os royalties

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) no Pará somou R$ 1,49 bilhão no semestre, crescimento de 3,5% sobre o primeiro semestre de 2025. O minério de ferro continuou como principal fonte, com 68,7% do total, mas registrou queda de 5%. Já o cobre respondeu por 21,8% da arrecadação, com alta de 45,8%.

Entre os municípios, Canaã dos Carajás liderou com R$ 660,4 milhões, o equivalente a 44,2% da CFEM do Estado. O levantamento destaca ainda os saltos de Tucumã (alta de 144,5%) e de Curionópolis (alta de 114,9%). Em Parauapebas, mais dependente do ferro, a arrecadação caiu 20,6%.

No mercado de trabalho, a indústria extrativa mineral paraense registrou saldo de 963 empregos formais no semestre, alta de 62,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho, o setor reunia 30,2 mil trabalhadores no Estado, 11,4% dos empregos formais da mineração no Brasil. Parauapebas segue como o maior empregador, com 8.434 trabalhadores, à frente de Canaã (5.744) e Marabá (4.153).

“Os números do primeiro semestre confirmam que a mineração paraense segue em trajetória de crescimento consistente”, afirmou Emerson Rocha, presidente executivo do Simineral, segundo o portal DOL.

ESG entra na pauta

O boletim também apresentou o primeiro relatório sistemático de indicadores ambientais, sociais e de governança (ESG) do setor mineral paraense, fruto da Carta Santarém, pacto entre empresas, governo e sociedade. O documento usa metodologias alinhadas ao padrão GRI e aos princípios do ICMM (Conselho Internacional de Mineração e Metais). “A Carta Santarém é um ponto de partida”, disse Anderson Baranov, presidente do Conselho Diretor do Simineral.

O que isso significa para os negócios da região

O crescimento do cobre desloca parte do dinamismo para Canaã dos Carajás, Curionópolis e o eixo de Tucumã e Ourilândia do Norte, o que tende a ampliar a demanda por serviços de manutenção, transporte, alimentação, hospedagem e construção nessas cidades. A queda da CFEM em Parauapebas é um sinal de atenção e reforça a importância de diversificar a economia local.

Para fornecedores, há espaço concreto: segundo dados da Vale divulgados em agosto pelo Diário do Pará, empresas paraenses responderam por 55% das compras da Vale e da Vale Metais Básicos no Estado no primeiro semestre, somando R$ 8,4 bilhões. Estar cadastrado, com documentação em dia e capacidade de atender requisitos de segurança e ESG, é o que separa quem aproveita esse ciclo de quem fica de fora.

Fontes:

Imagem: detalhe de uma amostra de cobre. Foto de Sheila Sund / Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

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