Cobre dispara 74% e minério de ferro cai 20% nas exportações de setembro

Navio graneleiro carregado de minério de ferro deixando o porto

Dados do MDIC mostram as duas faces de Carajás em setembro: o cobre em forte alta e o minério de ferro pressionado por preço baixo e frete caro.

As exportações brasileiras de minério de cobre cresceram 74,2% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto as de minério de ferro recuaram 20,5%. Os números fazem parte da balança comercial divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (6) e afetam diretamente o sudeste do Pará, onde estão algumas das maiores minas de ferro e cobre do país.

Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados pela CNN Brasil, o Brasil exportou US$ 2,02 bilhões em minério de ferro em setembro, contra US$ 2,54 bilhões um ano antes. O preço médio caiu 15,1% e o volume embarcado, 6,3%. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas externas do minério somam US$ 20,13 bilhões, queda de 2,2%.

No total, a indústria extrativa exportou US$ 9,44 bilhões no mês, alta de 39,8%, puxada pelo petróleo bruto (+77,3%) e pelo minério de cobre. Com isso, a balança comercial brasileira fechou setembro com superávit de US$ 7,74 bilhões, o segundo melhor resultado para o mês na série histórica, segundo a Agência Brasil.

Por que o ferro perdeu força

A queda do minério de ferro é atribuída à baixa nos preços da commodity, à demanda mais fraca da China, principal compradora, e à pressão do frete marítimo. Outras mineradoras já reagem. A CSN Mineração reduziu a previsão de produção e compras de terceiros em 2026 de 45 a 47 milhões para 39 a 41 milhões de toneladas. Já a Cabo Verde Mineração suspendeu temporariamente a operação de minério de ferro. “O preço do minério de ferro está ruim. O mercado está difícil”, disse à CNN Brasil o CEO da empresa, Túlio Rivadávia Amaral.

O cobre vai na direção oposta. No Pará, as exportações do metal já vinham batendo recordes: em maio, chegaram a US$ 822,7 milhões, maior valor mensal da série, segundo levantamento publicado por O Liberal.

O que isso significa para os negócios da região

Para Parauapebas, cuja economia gira em torno do minério de ferro da Serra Norte, o sinal é de atenção. A CFEM, os royalties da mineração, é de 3,5% sobre a receita bruta da venda do minério de ferro e de 2% no caso do cobre, e 60% do valor vai para o município produtor, conforme a Lei 13.540/2017. Preço mais baixo significa menos receita para a prefeitura e, depois, menos dinheiro circulando em obras, serviços e comércio.

Esse efeito já aparecia no primeiro semestre: a CFEM do ferro no Pará caiu 5%, enquanto a do cobre subiu 45,8%, e Canaã dos Carajás, onde ficam o S11D e a mina de cobre do Sossego, liderou a arrecadação no estado, segundo dados do Simineral publicados por O Liberal.

Para fornecedores locais, a leitura é dupla. Contratos ligados ao ferro podem enfrentar renegociação de preços e prazos, o que pede cuidado com o fluxo de caixa. Já a cadeia do cobre, com projetos de expansão da Vale em Carajás, tende a abrir mais espaço para empresas de manutenção, logística, alimentação e serviços técnicos.

O próximo termômetro será o balanço da Vale do terceiro trimestre, previsto para 29 de outubro. A partir dele, a empresa passa a reunir produção, vendas e resultados financeiros em um único relatório.

Fontes:

Imagem: navio graneleiro deixa o porto carregado de minério de ferro. Foto de Bahnfrend / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

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