Falta de gás na Alunorte pode custar até US$ 210 milhões à Hydro no Pará

Vista aérea da refinaria de alumina Alunorte, da Hydro, em Barcarena (PA)

Refinaria de Barcarena, abastecida pela bauxita de Paragominas, compra gás mais caro no mercado à vista enquanto disputa contrato com a fornecedora.

A norueguesa Hydro estima que os problemas no fornecimento de gás natural à refinaria Alunorte, em Barcarena (PA), podem custar à empresa até US$ 210 milhões no segundo semestre de 2026. A atualização foi divulgada em comunicado ao mercado na segunda-feira (5). A causa é a falha da fornecedora Celba, do grupo New Fortress, em entregar o gás previsto em contrato.

Segundo a Hydro, o impacto no terceiro trimestre deve ficar entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões no segmento de Bauxita e Alumina, por causa da produção menor e da compra de gás acima do preço contratado. Para o quarto trimestre, a empresa projeta mais US$ 90 milhões a US$ 110 milhões em custos, resultado da diferença entre o preço do contrato e o do gás comprado no mercado à vista (spot).

Produção caiu à metade em agosto

O problema começou em agosto, quando a Celba informou interrupções na disponibilidade de gás. Em 11 de agosto, a Alunorte reduziu temporariamente a produção de alumina para 50% da capacidade. A Hydro calcula que deixou de produzir entre 100 mil e 120 mil toneladas de alumina no período.

Dias depois, a refinaria fechou um acordo temporário para usar o terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) de Barcarena, que pertence à própria Celba, e obteve autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para importar gás diretamente. Com isso, começou a retomar a produção a partir de 13 de agosto, segundo a CNN Brasil e o portal eixos. De acordo com o eixos, a Alunorte consome cerca de 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

No comunicado desta semana, a Hydro informa que ainda não recebe os volumes contratados e segue comprando gás no mercado à vista. A empresa diz que “a Alunorte não espera novas interrupções no fornecimento de gás em decorrência da situação atual” (tradução livre), busca uma solução de longo prazo a preços competitivos e adota medidas jurídicas para proteger seus direitos no contrato. O impacto financeiro final, segundo a companhia, ainda é incerto.

A Alunorte é descrita pela CNN Brasil como a maior refinaria de alumina fora da China. Ela transforma em alumina a bauxita extraída pela Hydro em Paragominas, no nordeste do Pará. Segundo a empresa, a mina tem capacidade de quase 10 milhões de toneladas de bauxita por ano, ligada a Barcarena por um mineroduto de 244 km, e emprega cerca de 1.300 trabalhadores permanentes, além de 350 com contratos de longo prazo. Parte da alumina abastece a fábrica de alumínio Albras, vizinha à refinaria, segundo a plataforma de mercado SMM.

O que isso significa para os negócios da região

A Hydro não opera em Parauapebas, mas o caso interessa ao empresário do sudeste paraense por três motivos. O primeiro é a dependência de energia: projetos de beneficiamento mineral e de indústria pesada no Pará precisam de gás e eletricidade com preço previsível, e um contrato com fornecedor único mostrou ser um ponto de risco.

O segundo é a cadeia de fornecedores. Quando uma operação desse porte corta produção ou aperta custos, empresas de manutenção, logística e serviços costumam sentir o efeito em renegociação de contratos e prazos. A Hydro não anunciou cortes de pessoal nem mudanças em contratos locais por causa do episódio.

O terceiro é a lição de gestão: diversificar fontes de insumos e incluir cláusulas de contingência nos contratos vale tanto para uma multinacional quanto para o fornecedor local que atende as mineradoras de Carajás.

Fontes:

Imagem: vista aérea da refinaria Alunorte, da Hydro, em Barcarena (PA). Foto: Divulgação/Hydro.

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