Projeto subterrâneo de cobre e ouro na antiga mina do Igarapé Bahia está em estudo de viabilidade, aguarda licença prévia e já movimenta contratos e vagas.
A Vale Base Metals, braço de metais básicos da Vale, segue avançando com o Projeto Alemão, mina subterrânea de cobre e ouro em Parauapebas. Segundo a página oficial do projeto, atualizada em setembro, a futura mina deve produzir cerca de 80 mil toneladas de cobre e 140 mil onças de ouro por ano, com vida útil aproximada de 20 anos. O empreendimento está em fase de estudo de viabilidade.
O Alemão fica na área da antiga mina de ouro do Igarapé Bahia, dentro da Floresta Nacional de Carajás, que operou entre 1990 e 2002. O depósito é conhecido há mais de uma década: em 2011, o projeto chegou a ser apresentado em audiência pública em Parauapebas, mas não saiu do papel naquele momento.
Licença requerida e obras preparatórias
De acordo com a revista Brasil Mineral, a Vale Base Metals requereu a licença prévia do Alemão em outubro de 2025. A publicação informa ainda que o projeto foi redesenhado para lavra subterrânea por subníveis, mudança que gerou uma otimização de cerca de US$ 500 milhões no investimento previsto.
Os próximos passos, segundo a empresa, são avançar no licenciamento, concluir os estudos de viabilidade e iniciar a execução. Reportagem da InfoMoney sobre o Vale Base Metals Day 2026 aponta o Alemão como o terceiro projeto da fila de expansão de cobre, com início de produção previsto para 2030, depois de Bacaba (2028) e Salobo (2029). A meta da companhia é chegar a 700 mil toneladas de cobre por ano até 2035.
No terreno, o trabalho já começou. Em novembro de 2025, a empresa portuguesa EPOS, especializada em obras subterrâneas, assinou contrato de 23 meses com a Vale Base Metals para desaguar, recuperar e manter a rampa exploratória do Alemão, com 1.970 metros de extensão, e instalar sistemas permanentes de iluminação, bombeamento, ventilação e telecomunicações. A Vale também tem divulgado vagas ligadas ao “Projeto Alemão”, em áreas como geotecnia, processos e segurança do trabalho em operações subterrâneas.
O que isso significa para os negócios da região
O Alemão faz parte de um pacote maior. A Vale informou que pretende investir US$ 3,5 bilhões em projetos de cobre na região de Carajás entre 2026 e 2030, com valores crescentes a cada ano. Para Parauapebas, que já foi superada por Canaã dos Carajás na arrecadação da CFEM, um novo projeto de cobre e ouro no próprio território é uma notícia relevante para a arrecadação futura.
Mineração subterrânea exige serviços específicos e de longo prazo: ventilação, bombeamento, energia, manutenção de equipamentos, transporte de pessoal, alimentação, segurança e serviços técnicos. A empresa ainda não divulgou o valor do investimento nem o número de empregos na implantação, e o projeto depende da licença ambiental. Para o fornecedor local, o momento é de se preparar: acompanhar o licenciamento, manter cadastro atualizado nas plataformas de compras da Vale e buscar qualificação para o trabalho em mina subterrânea.
Fontes:
- Vale Base Metals – Projeto Alemão
- Brasil Mineral – Vale Base Metals aposta em cobre, níquel e disciplina
- InfoMoney – Vale Base Metals Day 2026
- EPOS – contrato com a Vale Base Metals para o Projeto Alemão
- Kitco/Reuters – Vale to invest $3.5 billion in Carajás copper projects by 2030
- Zé Dudu – Projeto da Mina do Alemão tem prospecção arqueológica autorizada
- IBRAM – Parauapebas discute em audiência a implantação da mina do Alemão (2011)
Imagem: área do Projeto Alemão (antiga mina do Igarapé Bahia), em Parauapebas, vista por satélite em 14 de agosto de 2026. Contém dados modificados Copernicus Sentinel (2026), processados via Microsoft Planetary Computer.







