Estudo de pré-viabilidade do Projeto Luanga aponta mina com vida útil de quase dez anos e pedido de Licença de Instalação ainda em 2026
A mineradora canadense Bravo Mining divulgou, em 22 de setembro, os resultados do estudo de pré-viabilidade do Projeto Luanga, em Curionópolis, no sudeste do Pará. O documento estima investimento inicial de US$ 784,9 milhões para implantar uma mina a céu aberto voltada à produção de paládio, platina, ródio, ouro e níquel, na região de Carajás.
Somando os investimentos previstos ao longo de toda a operação, o capital total chega a US$ 908,7 milhões. A empresa pretende pedir a Licença de Instalação no quarto trimestre de 2026. A Licença Prévia foi concedida em março de 2025.
Números do projeto
Segundo o comunicado da companhia, as reservas provadas e prováveis somam 86,7 milhões de toneladas de minério. A operação deve processar em média 8,67 milhões de toneladas por ano, com pico de pouco mais de 10 milhões de toneladas. A vida útil estimada é de 9,6 anos.
A produção média anual prevista é de 208,9 mil onças de paládio, 150,7 mil onças de platina, 16,1 mil onças de ródio, 18,1 mil onças de ouro e 9,8 mil toneladas de níquel. Os metais do grupo da platina são usados principalmente em catalisadores automotivos, na indústria química e em tecnologias ligadas ao hidrogênio.
No cenário-base, o estudo calcula valor presente líquido de cerca de US$ 1,45 bilhão após impostos, taxa interna de retorno de 35,1% e retorno do investimento em dois anos. “O cenário-base demonstra uma economia robusta”, afirmou o presidente e CEO da Bravo, Luis Azevedo, no comunicado (tradução livre).
De acordo com a Gazeta Carajás, o minério seria levado por cerca de 600 quilômetros até Barcarena, onde a empresa planeja instalar a unidade metalúrgica, na Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
O que isso significa para os negócios da região
Se sair do papel, o Luanga será mais um empreendimento de grande porte no entorno de Parauapebas, fora do eixo tradicional de ferro e cobre da Vale. A fase de obras costuma gerar demanda por construção civil, locação de máquinas, transporte, alimentação, hospedagem e serviços de manutenção, e é aí que fornecedores locais bem preparados têm vantagem. O comunicado não traz estimativa de empregos.
Há também reflexo nas contas públicas: pela legislação da CFEM (os royalties da mineração), 60% da arrecadação fica com o município produtor, o que pode reforçar o orçamento de Curionópolis a partir do início da produção.
O projeto ainda depende das próximas etapas de licenciamento e da decisão final de investimento. A Bravo prevê atualizar a estimativa de recursos minerais no primeiro trimestre de 2027 e avançar para o estudo de viabilidade definitivo.
Fontes:
- Bravo Mining – Bravo Reports Results of Pre-Feasibility Study for its Luanga Project (22/09/2026)
- Gazeta Carajás – Bravo Mining prevê US$ 784,9 milhões para projeto de mineração em Carajás
Imagem: paládio metálico. Foto de James St. John / Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.


